Prisioneiro de Guerra nos Açores segue a trajetória de Daniel, um jovem luso-alemão que, prestes a concluir a sua licenciatura em História na Universidade de Coimbra, vê-se surpreendido pelo eclodir da Primeira Guerra Mundial e pela entrada de Portugal no conflito contra a Alemanha. Diante do dilema de escolher entre os dois lados beligerantes, Daniel opta pelo exílio, sendo capturado e enviado para o Depósito de Concentrados Alemães (DCA), no Forte de São João Batista, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Entre 1916 e 1919, este campo de prisioneiros de guerra, o maior de Portugal durante aquele período, torna-se o cenário de uma experiência transformadora para o jovem Daniel. A convivência com prisioneiros de diversas nacionalidades — alemã, austríaca e húngara — e a complexa relação com os militares portugueses, marcada por momentos de tensão e conflito, são retratadas com sensibilidade e profundidade. Além disso, o livro descreve o impacto devastador da gripe espanhola, um inimigo invisível que afetou prisioneiros e população local, gerando mais um desafio na vida daqueles que já enfrentavam as adversidades da guerra.
Ao trazer à tona uma das páginas mais esquecidas da História do início do século XX, a obra também oferece reflexões sobre a atualidade, especialmente em um contexto global ameaçado pela guerra na Ucrânia e as cicatrizes da recente pandemia. O livro sugere que, apesar de um século de distância, a humanidade continua a enfrentar desafios semelhantes e só poderá superá-los quando souber unir-se em nome do bem comum.
Gabriela Funk
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