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El Silbo Gomero
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Carmina Galeria de Arte Contemporânea
18 de Março pelas 22h00


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Demonstração em ficheiro audio

O Silvo Gomero

Em La Gomera, Canárias, há quem comunique de forma muito peculiar. Os silbadores utilizam uma linguagem assobiada através da qual expressam as suas ideias como se de uma linguagem falada se tratasse.

Do silbo não constam palavras, apenas assobios que podem ser ouvidos a três ou quatro km de distância nas montanhas de La Gomera. Esta linguagem é constituída por cinco vogais e quatro consoantes que podem ser combinadas de modo a formar cerca de 4000 “palavras”. A combinação destas vogais e consoantes aliada ao ritmo, pausas, frequência, entoação, interrupções e a duração dos sons resulta no que se designa por silbo.

Outros países utilizam a comunicação assobiada mas La Gomera tornou-a única pela riqueza que aí adquiriu. O acto de silbar pode ser ouvido no Nepal; entre os índios Zapoteca nos montes de Oaxaca, no México e mesmo nos Pirinéus Franceses. Todas estas regiões são montanhosas, o que dificulta a comunicação. A baixa densidade populacional é outra característica dos locais onde se silva.

Esta linguagem possui uma particularidade espantosa – o silbador que o deseje pode silvar em qualquer idioma.

Pelo que se sabe, o silvo era utilizado diariamente até ao século passado, década de cinquenta. Relatos mais recuados descrevem que o silvo podia ser ouvido durante todo o dia e mesmo à noite. Através dele se noticiavam mortes e nascimentos, desaparecimentos e mesmo as aproximações de embarcações suspeitas. Também se reconhece um cunho pessoal em cada silbador. Tanto que se reconhecia o silvo de cada um tal como se reconhece a voz.

O decréscimo na sua utilização deu-se a partir dos anos 50 por razões várias, entre elas a emigração, o desaparecimento do pastoreio e os meios de comunicação. Todavia o silvo não desapareceu por completo existindo motivações crescentes para a sua preservação. Nas escolas, a crianças aprendem a silvar em aulas semanais.

O poético silbar reveste-se de uma funcionalidade diversa da que a manteve viva durante séculos em La Gomera mas assegura-se, assim, a sua continuidade.

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Última actualização em 2006-03-18